Diario di bordo
A maré em Cascais não é um relógio
Uma linha de pesquisa «iate no Algarve» leva-o a outro distrito, não à Avenida Marginal. Cascais é um sítio: estação, baía, sino de nevoeiro, um cacilheiro que passa ao longe. A calma está no casco e no posto, não atrás de um muro sem vizinhos. Quem quer silêncio absoluto até ao horizonte diz-lo em voz alta; depois apontamos outro dia ou outro casco.
O Atlântico fica à frente de alguns postos. De manhã ouve água e por vezes um remador, não uma auto-estrada. À noite a Marginal acalma mais cedo do que uma rua em Lisboa, mais tarde do que um caminho no campo. É a diferença que prometemos: um casco num cais, não um isolamento. Cães dos vizinhos existem. Sinos ao domingo também.
O dayboat olha para a baía. O cabinado olha para o camarote. A motora toma os dois. Três tipos, um cais. Não fretamos uma fila de catamarãs, nem um tour de autocarro pela Costa do Estoril, nem um lote de imóvel na Boca do Inferno. 2750-427 é o código; o lugar é o posto A12, B04 ou C09, e esse número vem no contrato.
Em 2022 um cliente perguntou se tínhamos «mais para o largo». Temos a baía e o cabo. Mais para o largo é Cabo da Roca a olhar, não um segundo cais nosso. Nuno põe a carta quando a reserva está confirmada, não um roteiro de tour. Um casco em Sesimbra só entra se o contrato o nomear, não porque um filme assim se chama.
Luxo aqui é um casco com pasta, não um minibar, não um turn-down, não um logótipo na toalha. É a carta de maré e uma linha honesta sobre o que a soma não inclui. Quem procura um spa encontra-o em Estoril ou em Lisboa, não atrás da nossa porta.
Os preços por quatro horas ficam € 420, € 680 e € 980 mais o que o contrato fixar. Alta estação existe como palavra em folhetos; aqui existe o calendário da reserva. Agosto e a semana de Nossa Senhora da Assunção enchem mais cedo. Um não nessa semana é mais barato do que um sim a um casco já dado. Ligue antes das 10.00 se tiver pressa; Rita diz sim ou não ainda no mesmo dia útil.